sexta-feira, 22 de abril de 2011

Os encantos do pássaro azul: Twitter vira mania entre os jogadores de futebol

Cada vez mais atletas se rendem ao uso da ferramenta para se expressarem, mas nem sempre o resultado é positivo

Reprodução da Internet
Nos últimos dois anos, o Twitter se popularizou em vários meios da sociedade, desde estudantes, passando por jornalistas e personalidades, até médicos e psicólogos. Muita gente se interessa pela ferramenta, utilizada para escrever cometários e expor opiniões. E, como não podia deixar de ser, o meio esportivo também entrou para o time: atletas, dirigentes e torcedores estão cada vez mais usando o microblog para dizerem o que pensam.

No mundo do futebol tem sido comum ver jogadores usarem o espaço de 140 caracteres para comentarem sobre os jogos, os times e até provocarem os rivais. Quando um jogador usa o Twitter pra reclamar que está no banco de reservas, falar mal do esquema do técnico ou criticar a própria torcida, cria uma mal-estar, como o que ocorreu recentemente com o atacante Caio do Botafogo. Ele reclamou de ter sido improvisado como ala na partida contra o Olaria. O jogador reclamou do calor, do sol forte e do posicionamento. Para evitar maiores problemas, a diretoria do alvinegro carioca proibiu os jogadores de usarem o Twitter.

Alguns, como o zagueiro Dedé do Vasco, defendem o uso da ferramenta como um meio de comunicação eficaz com a torcida. “Reclamar sobre o clube é meio complicado. O Caio é muito meu amigo, inclusive, mas vi que ele foi repreendido. Mas o Twitter é uma forma de o jogador falar o que pensa diretamente com o torcedor”, disse o jogador. Outro caso polêmico foi a troca de ofensas entre o zagueiro Alex Silva do São Paulo e o meia chileno Valdivia, do Palmeiras, após um clássico que terminou empatado entre as duas equipes.

Após ser expulso, Alex disse que o árbitro deveria ter expulso Valdivia, já que o chileno tinha feito o mesmo tipo de falta que ele. Pelo Twitter, o palmeirense mandou o zagueiro calar a boca e ainda disse que o são-paulino só sabia bater. Alex Silva respondeu afirmando que queria ver o Valdivia mandar ele calar a boca na rua e que só calaria a boca se o chileno tivesse mais títulos no futebol do que ele.

Problema estaria no desconhecimento da proporção que tem o Twitter 

Para o especialista em marketing esportivo, Rafael Zanette, falta mais orientação para os atletas sobre o tamanho dessa ferramenta e da proporção que ela pode tomar. “Muitas vezes eles não têm noção da proporção do Twitter. Muitos acham que estão falando apenas para amigos, mas eles têm às vezes mais de 20 mil seguidores, o que atinge uma repercussão gigantesca, podendo acarretar até em processo”, analisou Zanette.

Não são só os jogadores que usam o microblog para falar o que pensam, alguns dirigentes também aproveitam a ferramenta. O mais ativo neste quesito é o presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, que usa o espaço para dar informações e novidades sobre o clube. Foi por esse meio que o presidente do Galo já anunciou, em primeira mão, algumas contratações, como o meia atacante Guilherme (ex-Cruzeiro), o polêmico Jobson (ex-Botafogo), o volante Richarlyson e até o ex-treinador do time Vanderlei Luxemburgo.

Alguns jogadores conseguem usar a ferramenta a seu favor. O meia Kaká, do Real Madrid, é um exemplo de bom uso do Twitter. Ele que não usa frases polêmicas, nem faz críticas abertas a ninguém, costuma só colocar coisas positivas e já possui mais de três milhões de seguidores, tornando-se o brasileiro com mais seguidores na rede. Outro caso interessante é o do volante Sandro, do Tottenham, da Inglaterra, que aderiu à nova mania para garantir uma boa relação com os torcedores ingleses. Hoje, a maioria dos seus posts são em inglês e quase todos os seguidores torcedores do clube inglês. Segundo o jogador, a preocupação e o cuidado na Europa com a imagem do jogador é muito grande em relação ao Brasil. O clube se preocupa, pois sabe que, com o bom uso da ferramenta, o atleta, o clube e seus fãs só tem a ganhar.

Positivo ou negativo, o fato é que os torcedores têm aprovado essa nova forma de interação com seus ídolos, conhecendo melhor seus hábitos e pensamentos fora das quatro linhas e dentro dos 140 toques. O estudante Alexandre Ferreira, torcedor do Flamengo, segue o Twitter de vários jogadores, não só do seu time, e diz que usa a ferramenta para acompanhar a rotina dos atletas. “Pelo Twitter consigo saber o que os jogadores fazem ou pensam. É bom também porque acompanho não só os do meu time, mas todos os que eu admiro”, relata.

Se esta moda será passageira ou não, é cedo para saber. O que fica claro é que no mundo de hoje os atletas, dirigentes, jornalistas e torcedores estão usando cada vez mais esse recurso a fim de se comunicarem. Se bem usada, a ferramenta pode ajudar na imagem de alguns atletas, contudo, quando mal manuseada, pode atrapalhar ou rotular a carreira de outros. E haja trabalho para as assessorias de imprensa dos clubes.

Link: http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=6719

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