Cada vez mais atletas se rendem ao uso da ferramenta para se expressarem, mas nem sempre o resultado é positivo
Reprodução da Internet
Nos últimos dois anos, o Twitter se popularizou em vários meios da sociedade,
desde estudantes, passando por jornalistas e personalidades, até
médicos e psicólogos. Muita gente se interessa pela ferramenta,
utilizada para escrever cometários e expor opiniões. E, como não podia
deixar de ser, o meio esportivo também entrou para o time: atletas, dirigentes e torcedores estão cada vez mais usando o microblog para dizerem o que pensam.
No mundo do futebol tem sido
comum ver jogadores usarem o espaço de 140 caracteres para comentarem
sobre os jogos, os times e até provocarem os rivais. Quando um jogador
usa o Twitter pra reclamar que está no banco de reservas, falar mal do
esquema do técnico ou criticar a própria torcida, cria uma mal-estar,
como o que ocorreu recentemente com o atacante Caio do Botafogo. Ele
reclamou de ter sido improvisado como ala na partida contra o Olaria. O
jogador reclamou do calor, do sol forte e do posicionamento. Para evitar
maiores problemas, a diretoria do alvinegro carioca proibiu os
jogadores de usarem o Twitter.
Alguns, como o zagueiro
Dedé do Vasco, defendem o uso da ferramenta como um meio de comunicação
eficaz com a torcida. “Reclamar sobre o clube é meio complicado. O Caio
é muito meu amigo, inclusive, mas vi que ele foi repreendido. Mas o
Twitter é uma forma de o jogador falar o que pensa diretamente com o
torcedor”, disse o jogador. Outro caso polêmico foi a troca de ofensas
entre o zagueiro Alex Silva do São Paulo e o meia chileno Valdivia, do
Palmeiras, após um clássico que terminou empatado entre as duas equipes.
Após ser expulso, Alex disse que o
árbitro deveria ter expulso Valdivia, já que o chileno tinha feito o
mesmo tipo de falta que ele. Pelo Twitter, o palmeirense mandou o
zagueiro calar a boca e ainda disse que o são-paulino só sabia bater.
Alex Silva respondeu afirmando que queria ver o Valdivia mandar ele
calar a boca na rua e que só calaria a boca se o chileno tivesse mais
títulos no futebol do que ele.
Problema estaria no desconhecimento da proporção que tem o Twitter
Para o especialista em marketing
esportivo, Rafael Zanette, falta mais orientação para os atletas sobre o
tamanho dessa ferramenta e da proporção que ela pode tomar. “Muitas
vezes eles não têm noção da proporção do Twitter. Muitos acham que estão
falando apenas para amigos, mas eles têm às vezes mais de 20 mil
seguidores, o que atinge uma repercussão gigantesca, podendo acarretar
até em processo”, analisou Zanette.
Não são só os jogadores que usam o
microblog para falar o que pensam, alguns dirigentes também aproveitam a
ferramenta. O mais ativo neste quesito é o presidente do Atlético
Mineiro, Alexandre Kalil, que usa o espaço para dar informações e
novidades sobre o clube. Foi por esse meio que o presidente do Galo já
anunciou, em primeira mão, algumas contratações, como o meia atacante
Guilherme (ex-Cruzeiro), o polêmico Jobson (ex-Botafogo), o volante
Richarlyson e até o ex-treinador do time Vanderlei Luxemburgo.
Alguns jogadores conseguem usar a
ferramenta a seu favor. O meia Kaká, do Real Madrid, é um exemplo de bom
uso do Twitter. Ele que não usa frases polêmicas, nem faz críticas
abertas a ninguém, costuma só colocar coisas positivas e já possui mais
de três milhões de seguidores, tornando-se o brasileiro com mais
seguidores na rede. Outro caso interessante é o do volante Sandro, do
Tottenham, da Inglaterra, que aderiu à nova mania para garantir uma boa
relação com os torcedores ingleses. Hoje, a maioria dos seus posts são
em inglês e quase todos os seguidores torcedores do clube inglês.
Segundo o jogador, a preocupação e o cuidado na Europa com a imagem do
jogador é muito grande em relação ao Brasil. O clube se preocupa, pois
sabe que, com o bom uso da ferramenta, o atleta, o clube e seus fãs só
tem a ganhar.
Positivo ou negativo, o fato é que os
torcedores têm aprovado essa nova forma de interação com seus ídolos,
conhecendo melhor seus hábitos e pensamentos fora das quatro linhas e
dentro dos 140 toques. O estudante Alexandre Ferreira, torcedor do
Flamengo, segue o Twitter de vários jogadores, não só do seu time, e diz
que usa a ferramenta para acompanhar a rotina dos atletas. “Pelo
Twitter consigo saber o que os jogadores fazem ou pensam. É bom também
porque acompanho não só os do meu time, mas todos os que eu admiro”,
relata.
Se esta moda será passageira ou não, é
cedo para saber. O que fica claro é que no mundo de hoje os atletas,
dirigentes, jornalistas e torcedores estão usando cada vez mais esse
recurso a fim de se comunicarem. Se bem usada, a ferramenta pode ajudar
na imagem de alguns atletas, contudo, quando mal manuseada, pode
atrapalhar ou rotular a carreira de outros. E haja trabalho para as
assessorias de imprensa dos clubes.
Link: http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=6719
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